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Aracaú Pesca - Com. de
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| EUA EXIGEM TAMANHO PARA COMPRAR LAGOSTA CEARENSE |
Mercado consumidor de cerca de 90% das exportações cearenses de lagosta, os Estados Unidos agora endurecem frente à compra do produto local — considerado de menor qualidade em relação a outros países produtores — , e impõem novas restrições. A partir do ano que vem, a cauda do crustáceo deverá ter um tamanho maior para poder entrar no país norte-americano.
De acordo com o presidente do Sindicato de Armadores de Pesca dos Estados do Ceará e Piauí (Sindipesca), José Maria Veras, o serviço de inspeção federal dos EUA determinou que a lagosta cearense, seja de que tipo for, deverá ter uma cauda medindo, no mínimo, 13,75 centímetros para ser consumida no território americano.
Hoje, a lagosta do tipo vermelha precisa de 13 cm e a chamada verde, 11 cm.
A medida vem em um período que a atividade enfrenta sérios revezes para o seu desenvolvimento no Ceará, que ainda é o maior produtor do País, apesar de a produção ter decaído vertiginosamente nos últimos anos. ´Temos hoje 120 toneladas de lagosta no Estado sem exportar. Não tem quem compre. Os Estados Unidos não querem mais, reduziram bastante, principalmente agora depois da recessão, e o mercado interno não consome´, afirma.
A solução que vem sendo encontrada pelo setor é focar as exportações em outros mercados, que comprem a lagosta viva. A medida já vem sendo tomada, e o crustáceo neste estado está sendo levado para a Europa. Desta forma, o lucro do exportador é maior. O quilo da calda vem sendo comercializado a R$ 40. Já a lagosta com cabeça, que pesa três vezes mais, tem o seu preço a R$ 20. Assim, vendendo três quilos de lagosta viva (o que equivale a um quilo de calda), o exportador alcança o valor de R$ 60. ´Esse gargalo que os Estados Unidos nos impôs, nós estamos tentando nos adequar´, diz Veras.
Mas esta está ainda longe de ser a solução para os problemas da atividade. A lagosta cearense vem perdendo espaço para a produzida em países como Nicarágua, Cuba e Austrália. A daqui é considerada de menor qualidade, explica Veras, pelas más condições de conservação oferecidas pelas embarcações locais, dando condições menos saudáveis ao produto.
´Temos que dar um ordenamento melhor à atividade, renovando a frota de embarcações. Com as que possuímos, não temos poder de competitividade, e fica difícil comprar novos navios com as condições de juros atuais e a falta de incentivos ao crédito para o setor´, reclama o presidente do sindicato. A frota de navios motorizados com casco de ferro reduziu de 50 em 1991 para 4 em 2006, enquanto que a de pequenas embarcações a vela subiu de 558 para 2.313 no mesmo período, segundo estatísticas do Ibama.
Veras informa que a elevação do número de embarcações pequenas gera um outro problema: impede que as lagostas cresçam. Isso porque as velas só alcançam uma profundidade de até 30 metros, e acabam retirando os crustáceos em um período de menor maturação. ´Quanto maior a lagosta for, mais ela alcança as águas fundas, onde só chegam as embarcações motorizadas´.
ENTRAVES PERSISTEM Recuperação da atividade depende de longo caminho
Para recuperar a importância que possuía no setor, o Ceará terá ainda que percorrer um longo caminho. Em 1991, a produção de lagosta no Estado era de 7.863 toneladas, passando para 2.186 toneladas em 2007, uma queda de 72,1%. O dólar desvalorizado, um dos maiores entraves às exportações, agora começa a se recuperar perante o real. Entretanto, a retomada ainda não tem sido tão expressiva. De janeiro a outubro deste ano, as vendas externas da lagosta somaram US$ 31,0 milhões, um incremento de 17,8% diante do mesmo período do ano passado, quando foram exportados US$ 26,3 milhões, segundo dados do Centro Internacional de Negócios (CIN).
A tendência da produção é seguir esse índice, já que o escoamento é praticamente todo voltado para fora do País. ´A captura de lagosta neste ano tem melhorado, de forma muito discreta, mas tem melhorado. Essa elevação tem sido percebida somente em um período de um ano, então, não há como se falar em uma tendência de recuperação´, aponta o chefe do Núcleo de Pesca do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Cláudio Ferreira.
Ilegais
O número de embarcações licenciadas que atuam no setor lagosteiro é de cerca de 3.800, enquanto que a quantidade de ilegais chega a ser quase três vezes isso, segundo afirma o presidente do Sindipesca, José Maria Veras. A pesca predatória é um dos principais obstáculos para o setor no Ceará e no Brasil. ´Em 2008, estamos tendo uma produção boa em relação a 2006 e 2007, mas teria sido bem melhor se houvesse uma fiscalização à altura´, reclama.
A utilização de marambaias, redes de caçoeira e compressores ainda é uma realidade. Ontem, mais um barco utilizando compressor (equipamentos de mergulho, uma das principais causas da diminuição da lagosta pescada) foi identificado pelo Ibama, este em Icapuí. É o terceiro de sexta-feira para cá no Estado, segundo informou o chefe de Fiscalização do órgão de defesa, Rofran Cacho.
´Neste ano, já são 5.300 quilos de lagosta apreendida, além de 1900 mil metros de caçoeira e 29 barcos´, completa. SÉRGIO DE SOUSA Repórter Fonte : Jornal Diario do Nordeste Link : http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=591448 |
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